Mais de 80% das famílias brasileiras estavam endividadas em março de 2026, segundo levantamento recente da Confederação Nacional do Comércio. O número representa o maior índice desde o início da série histórica, em 2010. Ao mesmo tempo, cerca de 82 milhões de pessoas estão inadimplentes, cenário que tem impacto direto na economia e no dia a dia da população.
A realidade vai além dos números. Em grupos nas redes sociais, relatos como o de uma mãe cearense chamam atenção. Em oração, ela pede ajuda para conseguir pagar ao menos parte da conta do mercado no fim do mês. Situações como essa refletem a dificuldade enfrentada por milhares de famílias para manter as contas em dia.
Os dados mostram que 29,6% das famílias têm dívidas em atraso e 12,3% não conseguem pagar o que devem. O comprometimento da renda também preocupa: quase um terço do orçamento familiar está destinado ao pagamento de dívidas.
Entre os principais tipos de débitos, o cartão de crédito lidera com 84,9%, seguido por crediário no comércio e empréstimos pessoais. O uso frequente dessas modalidades, aliado aos juros elevados, tem contribuído para o crescimento rápido das dívidas.
Outro levantamento aponta que cada brasileiro inadimplente deve, em média, R$ 6,5 mil. Em muitos casos, valores menores acabam dobrando em poucos meses por causa dos encargos financeiros.
Especialistas apontam três fatores principais para o aumento do endividamento: maior acesso ao crédito desde a pandemia, juros altos e o crescimento das apostas online, que têm afetado o orçamento de muitas famílias.
O impacto já chegou ao governo federal. A avaliação é de que o peso das dívidas tem reduzido a percepção de melhora econômica, mesmo com inflação controlada e aumento da renda.
Para tentar reduzir o problema, está em estudo uma nova versão do programa de renegociação de dívidas. Entre as medidas avaliadas está a liberação de recursos do FGTS para quitar débitos, além de ações para limitar o uso excessivo de plataformas de apostas.
Enquanto isso, brasileiros seguem convivendo com cobranças constantes. Há casos de pessoas que recebem dezenas de ligações por dia. Em muitos lares, o endividamento deixou de ser pontual e passou a fazer parte da rotina.














